Entre novas estrelas, uma nova distinção de duas estrelas e prémios especiais, a gala realizada no Funchal mostrou que a alta gastronomia em Portugal vive um dos seus momentos mais fortes.
Na noite de 10 de março de 2026, o Guia Michelin Portugal 2026 voltou a colocar a gastronomia portuguesa no centro das atenções. A gala decorreu no Savoy Palace, no Funchal, Madeira, e terminou com um balanço expressivo: 11 novas estrelas atribuídas, sendo uma nova distinção de duas estrelas e 10 novos restaurantes com uma estrela. Com isso, Portugal passa a contar com 53 restaurantes estrelados, dos quais 9 têm duas estrelas e 44 têm uma estrela.
O grande destaque da noite foi o Fifty Seconds, em Lisboa, liderado pelo chef Rui Silvestre, que conquistou a sua segunda estrela Michelin. A promoção do restaurante reforça o peso da capital no fine dining nacional e confirma a consistência de um projeto que já vinha sendo apontado como um dos nomes fortes da restauração em Portugal.
Na categoria de uma estrela Michelin, a edição 2026 distinguiu 10 novos restaurantes espalhados de norte a sul do país: Alameda (Faro), A Cozinha do Paço (Évora), MAPA (Montemor-o-Novo), Kappo (Cascais), Largo do Paço (Amarante), dop (Porto), Éon (Porto), Gastro by Elemento (Porto), In Diferente (Porto) e Schistó (Peso da Régua). A lista mostra uma geografia gastronómica cada vez mais diversa, com sinais claros de crescimento fora dos eixos mais tradicionais.
Entre os nomes que mais chamaram atenção, está Angélica Salvador, do In Diferente, no Porto. Com esta conquista, ela torna-se a quarta mulher a receber uma estrela Michelin em Portugal, um dado com forte valor simbólico num setor em que a visibilidade feminina ainda avança de forma gradual.
A noite também premiou outras frentes da restauração. O Prémio Jovem Chef foi para Francisco Quintas, do Largo do Paço, em Amarante. O prémio de serviço de sala distinguiu Adácio Ribeiro, do Vila Foz, no Porto. Já o prémio de sommelier foi atribuído a Carlos Monteiro, da Casa de Chá da Boa Nova, em Leça da Palmeira. Houve ainda a estreia do prémio Abertura do Ano, entregue ao JNcQUOI Table, de Filipe Carvalho, em Lisboa.
Outro ponto importante foi a valorização da sustentabilidade. O restaurante A Cozinha do Paço, em Évora, recebeu também a Estrela Verde Michelin, atribuída a projetos com compromisso relevante com práticas sustentáveis. Com isso, Portugal passa a ter 7 restaurantes com Estrela Verde. Além disso, o guia atribuiu 2 novos Bib Gourmand — Mesa15, em Leiria, e Taberna Sakra, em Alverca do Ribatejo — elevando para 26 o total de restaurantes reconhecidos pela boa relação qualidade-preço.
Mais do que uma lista de premiados, a edição 2026 deixa uma leitura clara: a cozinha portuguesa continua a ganhar maturidade, consistência e alcance territorial. Lisboa e Porto seguem como polos centrais, mas o Michelin voltou a sinalizar crescimento em destinos como Alentejo, Douro, Algarve e interior norte, revelando um país gastronómico cada vez mais plural. A gala do Funchal não foi apenas uma cerimónia de consagração; foi a confirmação de que Portugal vive uma fase de afirmação internacional na alta cozinha.
No Chefs and Food, continuamos a acompanhar os chefs, os restaurantes e os movimentos que estão a redefinir a gastronomia em Portugal. E, depois desta gala, uma certeza fica no ar: há muito mais do que estrelas — há talento, identidade e uma cozinha portuguesa em plena ascensão.
Chefs & Food Team





